A prisão de ‘Álvaro’ – Casamentos Fake – Parte 3

Após Luana registrar um boletim de ocorrência sobre o caso, uma amiga dela encontrou uma reportagem de meses atrás e mostrou para a enfermeira. “O texto falava sobre uma jovem que tinha sido presa por ter enganado várias mulheres. Quando vi a foto da moça, vi que era a Fernanda. Foi então que percebi que ela não era a amiga do Álvaro. Ela era ele”, relembra.

“Pra mim, foi um choque descobrir que era uma mulher. Sempre que nos falávamos no telefone, era a voz de um homem. Hoje, percebo que sempre havia um chiado na ligação, pra disfarçar. Mas ela conseguia enganar muito bem. Ela fazia até um sotaque gaúcho”, diz.

Para que a polícia pudesse prender a jovem por trás do perfil falso, a enfermeira combinou um encontro com Álvaro. “Ele me pediu R$ 300 emprestados e eu disse que emprestaria. Para isso, pedi que fosse me encontrar. Ele falou que pediria para a Fernanda pegar o dinheiro comigo.”

 

O advogado Marcelo Crespo, especialista em Direito Digital, explica que criar um perfil falso pode configurar, a princípio, crime de falsa identidade. “Nesses casos, a pessoa não vai presa. Mas ela pode ser condenada a até um ano de prisão. Essa pena é substituída por outras medidas, como serviço comunitário ou pagamento de cestas básicas”, explica.

Os casos mais graves, segundo Crespo, ocorrem quando o dono do perfil falso também pratica estelionato – buscar vantagem sobre o patrimônio de alguém por meio de fraudes. “A pessoa engana a vítima para se apropriar indevidamente de parte dos bens dela. Nessa situação, a pessoa pode ser presa e as penas variam de um a cinco anos”, pontua o advogado.

A jovem por trás do perfil de Álvaro foi presa por estelionato, no momento em que se encontrou com Luana. De acordo com a Polícia Civil, Lorrany Cristina, de 24 anos, enganou, ao menos, outras 20 mulheres. “A estimativa é de que ela tenha causado prejuízo de mais de R$ 20 mil a essas mulheres, ao todo, por meio de dinheiro que convencia as vítimas a emprestar”, explica o delegado Leandro Vieira Leite.

“Em junho do ano passado, ela já havia enganado outras mulheres e tinha sido presa pelo mesmo crime. Ela permaneceu durante quatro meses na prisão, foi solta e voltou a cometer o mesmo delito”, diz o delegado.

As fotos utilizadas por Lorrany eram de um advogado de Santa Catarina. “A Polícia Civil não chegou a ouvi-lo, porque já concluímos as investigações. Mas caso ele queira, poderá mover uma ação por danos morais contra a jovem”, relata o delegado.

A prisão em flagrante de Lorrany foi convertida para preventiva e ela permanece detida.

Mais de um mês depois da prisão da jovem, Luana revela que ainda se culpa por ter acreditado nas mentiras dela. “Havia alguns detalhes simples que não percebi. Eu poderia ter procurado saber se o Álvaro realmente existia”, diz.

Por mais de 10 dias, ela não conseguiu voltar para casa. “Fiquei com a minha mãe, porque tudo na minha casa me lembrava aquela história”, conta. Atualmente, a enfermeira tem feito acompanhamento psicológico. “Foi algo muito traumático. Por alguns dias, depois que tudo aconteceu, eu acordava no meio da madrugada e ficava pensando nisso.”

Publicado por

Vida Nossa

Gosto de abordar assuntos sobre a família, em meus artigos e nas conversas, mas, aqui vamos tratar de comportamentos de um modo geral.

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